sexta-feira, 3 de abril de 2026

 A BOMBA   /Autor: *Mário Lago.


Amada, não me censure

se sou de pouco falar;

Nem se esse pouco que falo

não se faz suspirar.

É tempo de vida feia,

de se morrer ou matar,

de sonho cortado ao meio,

de voz sem poder gritar,

de pão que para nós não chega,

de noite sem se acabar.

Por isso não me censure

se sou de pouco falar.


Criança é bonito. É.

Mulher é bonito. É.

A rosa é bonito. É.

Mas criança chega a homem se a

         bomba quiser,

a mulher só tem seu homem se a

         bomba quiser,

homem sonha e faz seu sonho se a

                                   bomba quiser.


Amada minha, não chore

se nunca falo de amor,

nem se meu beijo é salgado,

que é beijo chorado em dor.

É tempo de vida triste,

de olhar o céu com pavor,

de mão para último gesto,

de mão para última flor,

de verde, que era esperança,

trazer desgraça na cor.

 Por isso, amada, não chore,

se nunca falo de amor.


Criança é bonito. É.

Mulher é bonito. É.

A rosa é bonito. É.

A lua é bonito. È.




Amada, não vá embora

se eu trouxe desilusão,

se aumenta sua tristeza,

tão triste é minha canção.

É tempo de fazer tempo,

de pegar tempo na mão

de gente vindo no tempo

em passeata ou procissão,

no mesmo passo de sonho

para bomba dizendo "NÃO"!

Amada, não vá embora

mudou a minha canção.


Criança é bonito. É.

A rosa é bonito. É.

A rosa é bonito. É.

A lua é bonito. É.


Pois criança vai ser gente, porque a

                                           gente quer,

a mulher vai ter seu homem, porque a

                                            gente quer,

homem vai fazer seu sonho, porque a

                                          gente quer,

vai ser tempo de ver lua 

e tirar rosa no pé.


*Mário Lago / Escritor/compositor/Ator./Membro fundador do CONDEPAZ-RJ.


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