A BOMBA /Autor: *Mário Lago.
Amada, não me censure
se sou de pouco falar;
Nem se esse pouco que falo
não se faz suspirar.
É tempo de vida feia,
de se morrer ou matar,
de sonho cortado ao meio,
de voz sem poder gritar,
de pão que para nós não chega,
de noite sem se acabar.
Por isso não me censure
se sou de pouco falar.
Criança é bonito. É.
Mulher é bonito. É.
A rosa é bonito. É.
Mas criança chega a homem se a
bomba quiser,
a mulher só tem seu homem se a
bomba quiser,
homem sonha e faz seu sonho se a
bomba quiser.
Amada minha, não chore
se nunca falo de amor,
nem se meu beijo é salgado,
que é beijo chorado em dor.
É tempo de vida triste,
de olhar o céu com pavor,
de mão para último gesto,
de mão para última flor,
de verde, que era esperança,
trazer desgraça na cor.
Por isso, amada, não chore,
se nunca falo de amor.
Criança é bonito. É.
Mulher é bonito. É.
A rosa é bonito. É.
A lua é bonito. È.
Amada, não vá embora
se eu trouxe desilusão,
se aumenta sua tristeza,
tão triste é minha canção.
É tempo de fazer tempo,
de pegar tempo na mão
de gente vindo no tempo
em passeata ou procissão,
no mesmo passo de sonho
para bomba dizendo "NÃO"!
Amada, não vá embora
mudou a minha canção.
Criança é bonito. É.
A rosa é bonito. É.
A rosa é bonito. É.
A lua é bonito. É.
Pois criança vai ser gente, porque a
gente quer,
a mulher vai ter seu homem, porque a
gente quer,
homem vai fazer seu sonho, porque a
gente quer,
vai ser tempo de ver lua
e tirar rosa no pé.
*Mário Lago / Escritor/compositor/Ator./Membro fundador do CONDEPAZ-RJ.
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