Via Folha Cultural/Jornalismo Pacifista-Cultural
Escravo africano – Mãos e Pés na construção da Civilização
brasileira
* De: Wilson Rodrigues de
Andrade /FC. (pesquisa e organização...)
A brasilidade passa pelo resgate de nossa
africanidade, suas manifestações, seus costumes e seu legado; resultando, assim,
nossa Pátria Mestiça.
A preservação histórica- econômica e sociocultural,
exige de cada um de nós, respeito e gratidão para com os laços da
diversidade/identidade étnica no contexto de nossa herança. Hoje. Os valores
que carregamos na alma; o legado na música, e sua musicalidade acompanham seu
gingado, a literatura, suas tradições, o envolvimento das expressões e
conteúdos materiais e imateriais. Tudo
em forma de Canção. Sua contribuição consistiu em trazer as
impressões artísticos e culturais, organizações e movimentos políticos e
sociais negros para o centro da cena, entre escravizados e forros, trânsitos de
africanos livres por entre África e Brasil, e
outros no mundo
transatlântico após 1.822. Os que
sofreram injustiças conseguiram transformar em diálogos entre culturas. ‘ quem
excluir a África da História não entenderá o Brasil’ WRA/12.
Um
pouco da História. ...O Brasil foi o
último a liberta- lós...
Pertencentes
a diversas culturas, os escravos eram,
em sua maioria, das possessões na África – Angola, Congo e Moçambique – da
língua banto. A Bahia foi uma exceção, quanto à etnia dos seus escravos, recebendo, nos últimos anos do
Século XVIII, e na primeira metade do XIX, africanos do golfo de Benin, sudeste
da atual Nigéria, vítimas de perseguições ligadas à expansão islâmica na
região. Eram os Iorubas, chamados de
magos na Bahia, geges e haussás, considerados,
mas belicosos do que os bantos. “ Explicou-se
a escravidão no Brasil como consequência inevitável da escassez de braços em
Portugal”. Mas os colonos açucareiros franceses, holandeses e ingleses, no
Caribe também foram escravistas. Para
que as Colônias rendessem lucros, deveriam produzir, a baixo preço, mercadorias
comercializadas na Europa.
Na primeira
metade do Século XIX, teriam entrados no Brasil um milhão e meio entre homens e
mulheres escravos, até a proibição do
tráfico em 1.850.
Além da
presença marcante do escravo no campo,
é importante focalizar a escravidão urbana, fundamental desde o período colonial.
Era nas Cidades que as diferenças culturais entre os africanos eram mais
acentuadas, havendo até aqueles que, na segunda metade do Século XIX tiveram
acesso à educação. Foi nas Cidades que eles – que também constituíam famílias –
procuraram se inserir na sociedade, alcançando, não raras vezes, a liberdade,
seja por meio da compra da própria alforria, seja por meio de fuga.
O negro entra na ‘sociedade brasileira’ como
cultura dominada e esmagada. E as marcas da escravidão persistem no disfarçado
preconceito racial, diante da situação que também muitos se encontram. Não se
poderá pensar em Brasil sem levar em
conta toda essa História. O Negro faz um grande favor a tua herança em não se
envergonhar do teu passado; e sim, se
afirmar dia a dia em ser um Cidadão e
Cidadã dono desta Terra que fora adotada
debaixo de ferro...
“...Lastros. Pensamentos Culturais. Eloquente
Novos vislumbres. Rastro infinito deste Chão
Monumental Unção. Entoar Sina “envolvente...”
Andrade, WR/ ‘Raiz Perene’ 09/Nov.
Maior
importador de cativos africanos por mais de 350 anos, o Brasil foi também o
último a liberta- lós...
...Os Negros
eram vendidos aos portugueses pelos sobas-chefes das tribos africanas – com
preferência para homens adultos, embora viessem também mulheres, crianças e
velhos. Transportados em Navios negreiros,
funileiros ou tumbeiros; viajavam amontoados e tinham uma alimentação parca e
não raramente 20% dos embarcados morriam nas viagens, ou em decorrência delas.
O excesso de carga, por cobiça dos traficantes, provocava às vezes naufrágios
fatais.
Na Europa moderna, Portugal foi o primeiro País
a utilizar trabalho escravo negro. No
início, em Portugal, os escravos eram usados apenas para serviços domésticos – ainda no Século XV
, os portugueses começaram a usar escravos nas plantações de cana nas
Ilhas do Atlântico. Portanto, no
limiar do Século XVI, a economia açucareira se
implantou no Brasil, e começou a crescer, os escravos africanos para cá
foram transportados .
O exemplo de Portugal será seguido por outros países
europeus. A Espanha, a Inglaterra, a França
e a Holanda, que tinham possessão
de colônias no continente americano, utilizaram
largamente o trabalho escravo. Mais de 20 milhões de africanos foram arrancados
das suas terras, familiares e amigos para trabalhar e enriquecer fazendeiros,
mineiros e traficantes.
Nota: Era uma Vergonha a escravidão! – A
Inglaterra havia libertado os escravos de suas Colônias em 1833; em 1846,
fizeram o mesmo a Suécia e a Holanda; em 1848, a França e a Dinamarca; em 1854,
Portugal; e, depois de grande luta (a guerra da Secessão), os Estados Unidos da
América, em1865. Em 1870, acabada a guerra do Paraguai, o seu governo
provisório aboliu a escravidão, a pedido
do Conde d’ Eu! E o Brasil passou a vergonha de
continuar com escravos, que os nossos dois aliados (Argentina e Uruguai) não tinham.
Nota: A Princesa Isabel e a libertação.
– A Princesa Regente Isabel (1846-1921),
era dedicada partidária da libertação dos escravos:
em Petrópolis promovia festas para formação de Fundos destinados à liberdade
dos escravos que ainda existiam na
Cidade; e numa Quermesse aí vendeu flores colhidas no Quilombo do Leblon/Rio,
em beneficio da Causa.
Abolição!
Abolição! Era o coro da Nação...
Diante da pressão abolicionista, em 1871, o
Parlamento aprovou a Lei do ventre Livre.
Essa lei estabelecia que qualquer filho de escravo que nascesse a partir dessa
data seria considerado livre. Outros parágrafos, no entanto, obrigavam o
“favorecido” a prestar serviços, gratuitamente, até os 21 anos de idade.
Essa lei não satisfez os abolicionistas. Eles
acharam absurdo que os filhos de escravos fossem obrigados a trabalhar até os
21 anos para os fazendeiros a fim de lhes pagar as despesas com a criação
deles.
Os abolicionistas
não queriam ‘meias medidas’. Por volta de 1880, a agitação nas Cidades e nas Fazendas
assumiu grandes proporções. Os cafeicultores paulistas se manifestavam
publicamente pelo fim da escravidão.
O Exército se recusava a perseguir escravos fugidos. Os tipógrafos negavam-se a
imprimir qualquer material contra a Abolição... Pressionados pelo enorme clamor
popular, a imensa maioria dos políticos não se dispôs a discutir a questão das
indenizações e aprovaram, em 13 de maio de 1888, uma Lei (com
apenas dois Artigos...) que dizia simplesmente: “1º. – É declarada extinta, desde a data desta Lei, a escravidão no
Brasil. 2º. – Ficam revogadas as
disposições em contrário ”. O Imperador
D. Pedro II, que se encontrava gravemente enfermo na Europa, emocionado
recebeu a grata notícia.
...A sociedade africana...
Quando
os portugueses desembarcaram na parte Oeste do Litoral africano, encontraram
sociedades bastante diferentes entre si.
Na
religiosidade, no conhecimento técnico, na forma de governo e nas atividades econômicas.
Varias dessas sociedades estavam politicamente organizadas em reinos, com as
diversas funções em funcionamento. Uma nobreza aliada aos comerciantes, e
ligadas ao poder político. Nesses reinos a agricultura, o artesanato e o comércio
eram bem desenvolvidos.
Além
desses reinos, também havia muitas Tribos. Algumas com o modo de vida bem
semelhante ao das tribos indígenas brasileiras.
127 anos do
sonho da Abolição da escravidão negra no Brasil
Data para não ser esquecida pelos brasileiros. Treze de Maio. A escravidão proporcionou
tema que mobilizou o País do Século XIX. O debate mesclava questões econômicas
com sociais e morais, e foi mais de uma vez, motivo de tensão nas relações do
Brasil com a Inglaterra. Para alguns brasileiros, a escravidão não era só a
nódoa que envergonhava o País, mas também – cenário de atraso econômico. A
defesa da mão de obra livre como elemento de progresso – feita pelos que viam
na livre concorrência, no livre mercado e na diversificação das matrizes
econômicas fatores de progresso – esbarraria sempre na defesa intransigente dos
interesses da monocultura baseado no trabalho escravo. A economia cafeeira, que
começara a tomar impulso durante o Primeiro Reinado, oporia forte e eficaz
resistência a qualquer projeto abolicionista. Portanto, o movimento
abolicionista só tomaria impulso mesmo depois da Guerra do Paraguai. No
entanto, a Abolição em 1888, seguida de perto pela Proclamação da República em
1889, não proporcionou nenhuma
campanha consistente com vista à
integração do antigo elemento ( escravo
negro ) à sociedade brasileira. Não
deve existir descendente de escravos, e, sim de seres humanos que foram
escravizados.

Giancarlo Summa/UNIC-Rio...
O Brasil foi uma sociedade escravocrata
durante a maior parte de nossa história. Isto quer dizer que o trabalho
necessário ao funcionamento desta sociedade era realizado, principalmente, através dos escravos africanos. Portanto, construir a Promoção da Igualdade
Social- é se preparar para desfrutar do Desenvolvimento do Estado Brasileiro
com respeito e inclusão da Diversidade
das Culturas de um Povo, e sua qualidade de seres humanos; negros /brancos/
indígenas... Nossa Gente do firmamento Azul - anil/ Das Terras Pindorama varonil.
Civilização brasiliana. As brincadeiras africanas e afro-brasileiras trazem
consigo características, valores e a inserção de elementos culturais africana
ao nosso. A Escola (o sistema educacional...), precisa colocar os alunos em
contato com os elementos que formam cada Grupo étnico brasileiro, para que eles
sejam capazes de compreender a complexidade dessas identidades e, assim, se
afirmar não apenas pela cor da pele ou do cabelo, mas também por outros
elementos. Perfeito instrumento que consagra o passado fecundo
e dinamiza. O presente de um Povo – suas manifestações e conteúdos com a força
das Gerações para nossos dias... Alicerce de raízes... Sustentáculos das
Etnias. WRA/15.
‘Brasil teve grande empenho na criação da Década da Afrodescendência’
(2015 - 2024) – diz Diretor do UNIC/Rio. Em entrevista a Rádio ONU, no Dia Internacional em Memória às Vitimas da
Escravidão, 25 de março de 2015....
Declaração feita pelo Diretor do UNIC/Rio ( Centro
de Informação das Nações Unidas para o Brasil) com sede no Rio de Janeiro, Giancarlo Summa. “Brasil foi, junto com
os Estados Unidos, o país que, mas recebeu escravos africanos”. (Foto acima)
... Os Quilombolas
...Tramitavam os Processos nos caminhos das
nulidades para os Negros..., enquanto, a “punição retórica” levava ao aquilombamento (... o
formar Quilombo).
As fugas eram intensas ao longo do período
escravocrata em nossa Pátria. As fugas individuais não tiveram êxitos; o Negro não conhecia o vasto território tupiniquim, eram capturados.
Mais adiante... Não se intimidou – fugiam para bem
longe, quando em grupos; a solução coletiva deu melhor eficiência. Conseguiam
sobreviver nas matas. Formavam Aldeias. Essas receberam o nome de QUILOMBO - Lá,
os já não, mas escravos, procuravam reconstruir
formas cotidianas de Vida longe da Terra Além-mar; sua Gamboa
/ África pequenas no solo do Brasil .
A palavra Quilombo – de uso bastante
recorrente na literatura escravista, é insuficientemente dicionarizada. Mesmo
trazendo um rigoroso inventário de vários tipos de formação social
identificados como tal, falta a informação básica de que na África Meridional, já no século XVII,
um termo próximo, tchilongo, era utilizado para designar um Espaço humanizado, ou
seja, território.
Ao longo da
história do Brasil, houve a formação de vários Quilombos. Uns com apenas dezenas de africanos, e outros, como o de PALMARES, em Alagoas, com milhares de
pessoas / entre índios – brancos – negros. Um espaço cobiçado que esteve
constantemente sobre a mira de Portugal, durou cerca de 100 anos. Neste
período, em meio à escravidão, os palmarinos construíram uma
espécie de república livre. Mas, o rei de Portugal
conseguiu, a partir de diferente estratégia, desativar esta organização, em uma
luta comandada pelo bandeirante, Domingo Jorge Velho. ZUMBI escapou e começou a organizar outro exército. Persistentes,
seus inimigos armaram outra emboscada e, desta vez, conseguiram matá-lo. Isso aconteceu em 21 de
Novembro de 1695.
Os Quilombos
foram destruídos por mercenários. Os fazendeiros não podiam deixar que o sonho
de liberdade espalhasse entre os escravos. Movimento esse que seria o prenúncio
para acabar com o processo escravocrata no Brasil.
Passou-se mais de três séculos, o chão
da Pátria viveu seu período escravocrata. ZUMBI dos Palmares – um dos maiores
ícone da resistência negra ao escravismo –, este dignificou o povo brasileiro,
e, podemos ressaltar que ainda há muito para concretização dos anseios e conquistas do líder ZUMBI – figura
que deve ser inesquecível pelos
brasileiros e aos amantes da liberdade e igualdade social entre os povos.
Atualmente - existem l.738 Quilombos, em 22 Estados da federação brasileira; formando,
assim, as Comunidades quilombola, previstas em Lei e Programas para o acesso a
terra, com previsão de qualidade de vida, saúde e direitos de cidadania, e
investimentos; no âmbito Federal, de Estados e de Municípios.
Nossa tarefa deverá ser defender
a promoção ao dialogo com a Diversidade de Etnias (ter direitos iguais, dentro
de suas diferenças...). Resgatar nossa historiografia – estudos históricos e
críticos no que diz respeito ao nosso desenvolvimento – nossa brasilidade, e no
contexto continental, a partir da Identidade da consciência de nossa negritude
e suas ramificações no processo civilizatório brasileiro.
É, portanto, a Cultura brasileira – inserida
no conceito étnico, ou seja, as diversas culturas que forma nossa Nação.
Através de estudos socioculturais, e no foco com a pesquisa
para a melhor observação das
condições do povo de matriz africana ;
juntamente com a etnia - e seu convívio - formando a grande civilização miscigenada
do Atlântico Sul, sua etnologia -
para traçar nossas diferenças; e,
sem cotas no futuro próximo. WRA/ FC.