segunda-feira, 9 de maio de 2016

Via UNIC-Rio/COMPAZ-FC.

PMA apoia missão de estudos do Governo de Gana no Brasil sobre políticas sociais

Programas brasileiros de aquisição de alimentos e de alimentação escolar servirão de modelo para aprimorar estratégias de proteção social em Gana.

Representantes do governo de Gana chegam hoje (27) a Brasília para a segunda rodada da missão de estudos sobre políticas de segurança alimentar e nutricional. O Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA) organiza entre os dias 20 e 31 de agosto a visita de membros dos Ministérios da Educação, Governo Local e Desenvolvimento Rural e Agricultura, além de representantes dos escritórios do PMA às iniciativas brasileiras de promoção da alimentação escolar e agricultura familiar.
Localizado no Oeste da África, Gana atualmente mantém projetos de cooperação com o Brasil, sobretudo para a difusão da agricultura familiar.  O Governo de Gana pretende integrar a alimentação escolar às demais políticas sociais. A missão veio ao Brasil para trocar experiências sobre o modelo de proteção social brasileiro e, assim, elaborar uma estratégia para aprimorar o existente Programa Nacional de Alimentação Escolar de Gana que atende 1 milhão e 300 mil crianças em mais de 3 mil escolas. O objetivo principal é direcionar 80% do gasto com alimentação para as comunidades locais, fazendo dos exemplos brasileiros como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) instrumentos de aprendizado.
Desde 2006, o Programa Mundial de Alimentos apoia iniciativas de alimentação escolar em Gana. O PMA fornece hoje merendas para 150 mil alunos do ensino fundamental em mais de 500 escolas no país e ainda incentiva a compra local de alimentos de pequenos agricultores através da iniciativa Purchase for Progress (P4P). “A contribuição do PMA é ajudar o desenvolvimento desses países por meio de transferência de conhecimento sobre programas  que estão dando certo, como é o caso do Brasil”, explica Daniel Balaban, Diretor do Centro de Excelência contra a Fome em Brasília.
Durante a segunda fase em Brasília, a missão vai participar do IV Seminário Internacional: Políticas Sociais para o Desenvolvimento, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Na agenda também estão previstas encontros com autoridades do Governo Brasileiro como Ministério do Desenvolvimento Rural (MDA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de sessões internas de planejamento. A primeira semana foi dedicada à visita de campo pelo interior do Rio Grande do Norte. A delegação conheceu de perto como cooperativas da agricultura familiar se organizam para fornecer alimentos aos programas governamentais como PAA e PNAE.

Purchase from Africans for Africa”

O Brasil tem ajudado os países africanos a aumentar a produtividade agrícola e o desenvolvimento rural, a fim de atingir a segurança alimentar. O Programa PAA África é uma iniciativa inovadora que expande financiamento para a compra local de alimentos na Etiópia, Níger, Malauí, Moçambique e Senegal, com o objetivo de beneficiar pequenos agricultores e pessoas mais vulneráveis. Lançado em 2012 como uma iniciativa conjunta entre o governo brasileiro, o PMA e a FAO, com apoio do DFID, o Programa se baseia na experiência acumulada pelo Brasil em seu próprio Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

PMA Centro de Excelência contra a Fome

O Programa Mundial de Alimentos em parceria com o governo brasileiro lançou o Centro de Excelência contra a Fome com o objetivo de promover políticas nacionais sustentáveis de segurança alimentar e nutricional com base nos sucessos da experiência do Brasil. O Centro serve como uma ponte para a cooperação sul-sul com foco no desenvolvimento de capacidades nas áreas de alimentação escolar, agricultura familiar, nutrição e segurança alimentar. O diálogo de políticas é feito com países do Sul interessados em desenvolver seus próprios programas.
O PMA é a maior agência humanitária do mundo lutando contra a fome em diferentes países. A cada ano, o PMA alimenta em média mais de 90 milhões de pessoas em mais de 70 países. Saiba mais sobre o Centro de Excelência contra a Fome aqui. Siga o PMA Centro de Excelência contra a Fome no Twitter e no Facebook.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Via C/Folha Cultural/FC   
  
Mãe. G. Ghiaroni*


Mãe eu volto a te ver na antiga sala
Onde uma noite te deixei sem fala
Dizendo adeus como quem vai morrer.
E me viste sumir pela neblina,
Porque a sina das mães é esta sina:
Amar, cuidar, criar, depois... perder.

Perder o filho é como achar a morte.
Perder o filho quando, grande e forte,
Já podia ampará-la e compensá-la.
Mas nesse instante uma mulher bonita,
Sorrindo, o rouba, e a velha  mãe aflita
Ainda se volta para abençoá-la.

Assim  parti, e nos abençoaste.
Fui esquecer o bem que me ensinaste,
Fui  para  o mundo me deseducar.
E tu ficaste num silencio frio,
Olhando o leito que eu deixei vazio,
Cantando uma cantiga de ninar.

 Hoje  volto coberto de  poeira
E  te encontro   quietinha na cadeira
A cadeira  pendida  sobre o peito.
Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo
Quero acordar-te, mas não sei se devo,
Não sinto que me caiba este direito.


O direito de dar-te este desgosto,
De te mostrar nas rugas do meu rosto
Toda a miséria que me aconteceu.
E quando vires  a expressão horrível
Da minha máscara irreconhecível
Minha voz rouca murmurar: “sou eu!”.

Eu bebi nas tabernas dos cretinos,
Eu brandi o punhal dos assassinos,
Eu andei pelos braços dos canalhas.
Eu fui jogral em todas as comédias,
Eu fui vilão  em todas as tragédias,
Eu fui covarde  em todas as batalhas.


Eu te esqueci: as Mães são esquecidas.
Vivi a vida, vivi muitas vidas,
E só  agora,  quando chegou ao fim,
Traído  pela ultima esperança,
E só agora  quando a dor me alcança
Lembro quem nunca se esqueceu de mim.

 Não! Eu devo voltar ser esquecido.
Mas que foi? De repente ouço um ruído;
A cadeira rangeu; é tarde agora!
Minha mãe se levanta abrindo os braços
E, me envolvendo num milhão de abraços,
Rendendo graças, diz: “Meu filho!”, e chora.

E  chora e treme como fala e ri,
E  parece que Deus entrou aqui,
Em vez de o último dos condenados.
E o seu pranto rolando em minha face
Quase é como se o Céu me perdoasse,
Me limpasse de todos os pecados.

Mãe  nos teus braços eu me transfiro.
Lembro que fui criança, que fui puro.
Sim, eu tenho Mãe! E esta ventura é tanta
Que eu compreendo o que significa:
O filho é pobre, mas a Mãe é rica!
O filho é homem, mas a Mãe é Santa!

 Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
Mas que me beija como agradecendo
Toda a dor que por mim lhe foi causada.
Dos mundos onde andei nada te trouxe,
Mas tu me olhas num tão doce
Que, nada tendo, não te falta nada.

Dia das Mães! É o dia da bondade
Maior que todo o mal da Humanidade
Purificada num amor fecundo.
Por mais que o homem seja um ser mesquinho,
Enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
Cantará a esperança para o Mundo.

 Versos de: * Giuseppe Ghiaroni, o poeta de Paraíba do Sul /RJ - poeta e jornalista, no tempo  dele – era profissão  de quem não a tinha / Ghiaroni  nome de ressonância nacional , seus  versos passaram a ser declamados  em todo o país , outros receberam música  ( eles que só eram melodias ) e viraram sucesso nas vozes dos nossos melhores cantores.
                                                           Reprodução para FC. /WRA-15.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Via UNIC-Rio/COMPAZ/FC.

Pesquisador da FAPESP é nomeado conselheiro da Universidade das Nações Unidas

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Carlos Henrique de Brito Cruz, foi nomeado novo membro do conselho de governança da Universidade das Nações Unidas (UNU).
Univerisdade das Nações Unidas em Tóquio. Foto: Wikimedia Commons
Universidade das Nações Unidas em Tóquio. Foto: Wikimedia Commons
O Diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Carlos Henrique de Brito Cruz, foi nomeado novo membro do conselho de governança da Universidade das Nações Unidas (UNU).
Engenheiro eletrônico e físico, Brito Cruz também é professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da qual foi reitor de 2002 a 2005. Ele é graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Brito Cruz foi nomeado para o cargo pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pela diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, junto com outros 11 novos membros.
Eles assumirão o cargo em 3 de maio para um mandato de três a seis anos, substituindo o conselho anterior cujo mandato durou de 2010 a 2016.
As principais funções do conselho da UNU são formular os princípios e políticas da universidade, governar suas operações e considerar e aprovar seu orçamento bianual e programa de trabalho.
Os membros atuam com suas capacidades individuais (não como representantes do governo de seu país), e são selecionados com base no objetivo de atingir um equilíbrio geográfico e de gênero, considerando as mais importantes tendências acadêmicas, científicas, educacionais e culturais, assim como os campos de expertise de cada membro.
Segue abaixo a lista dos 12 novos membros nomeados para o conselho da Universidade das Nações Unidas:
  • Ernest Aryeetey (Gana), vice-reitor da Universidade de Gana;
  • Carlos Henrique de Brito Cruz (Brasil), diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP);
  • Simon Chesterman (Austrália), decano da Faculdade de Direito da Universidade Nacional de Cingapura;
  • Elizabeth Cousens (EUA), vice-presidente da Fundação das Nações Unidas;
  • Isabel Guerrero Pulgar (Chile), diretora da IMAGO Global Grassroots e conferencista da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT);
  • Angela Kane (Alemanha), representante-emérita do Centro para o Desarmamento e a Não Proliferação, de Viena, e professora do Instituto de Estudos Políticos de Paris;
  • Segenet Kelemu (Etiópia), diretor-geral e presidente do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos;
  • Bassma Kodmani (Síria), diretor-executivo da Iniciativa de Reforma Árabe;
  • Radha Kumar (Índia), diretor-geral do Delhi Policy Group;
  • Irena Lipowicz (Polônia), professor da Universidade Cardinal Stefan Wyszyñski (Varsóvia);
  • Tsuneo Nishida (Japão), diretor do Instituto de Ciência e Paz da Universidade de Hiroshima e diretor da Toho Zinc;
  • Lan Xue (China), decano da Escola de Políticas Públicas e Administração da Universidade de Tsinghua e diretor do Instituto Chinês de Políticas para Ciência e Tecnologia.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

COMPAZ/Jornal/Revista Folha Cultura...

Esta é uma Mensagem que talvez não  ira tocar a ninguém, no entanto, foi composta com  muito Amor. Bom seria se ela tornasse parte do Coração de cada um de Nós. E, sempre me pergunto e sei que muitos também  perguntam  ao mesmo tempo...  *  Carlos Gardel.                                    

     Onde anda a Paz do Mundo?


Onde anda a Paz do mundo
Se é que a paz já existiu.
Onde anda, ninguém sabe.
Nem se quer falar ouviu.

Onde anda a paz do mundo
Não há quem saiba responder?
Se está longe ou está perto
Se há mesmo um céu aberto
Onde, na vida eterna,
Posamos um dia viver.

Eu sei que é bem difícil
Encontrar a Paz nos nossos dias
Pois o mundo vive momentos
De amarguras e agonias.

O ódio vem se alastrando
Por toda face da terra
Quantos já se esqueceram
De que há amor
E quantos praticam a guerra.

Não há lugar no universo
Para quem tentar sentir a Paz?
Quer seja num simples verso
Ou numa história
Que a memória trás.
                                 
 Por que será que está tudo
Tão mudado?
Será que está chegando o fim?
Ou será que somente eu
Estou errado?
Em pensar tal coisa assim?
Será que não há uma coincidência
Na maneira de pensar?
Será que não há um firmamento,
Para a Paz se encontrar?
Sim!  Se cada um parar um instante,
Fugir um pouco da fantasia,
Verá que não sou um louco
E que não tenho a mente vazia.

Verá que o Amor é obra pura,
É feito com perfeição,
Verá que a Paz que se procura
Só se encontrará
Tendo Amor no Coração.
    

 De: * Carlos Gardel/ Paraíba do Sul – RJ.// nov.91.             

(O Autor é membro do COMPAZ)

sábado, 23 de abril de 2016

Via UNIC-Rio- COMPAZ/FC.

ONU espera recorde de assinaturas para acordo climático de Paris em cerimônia no dia 22 de abril ...

Mais de 160 países confirmaram que assinarão o histórico acordo do clima fechado em dezembro do ano passado em Paris, em uma cerimônia que será promovida pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, em 22 de abril. Acompanhe ao vivo em http://webtv.un.org e todos os detalhes aqui; acesse o texto do Acordo de Paris em português.
Arte: ONU
Arte: ONU
Um número recorde de países deve assinar o histórico acordo do Clima fechado em dezembro de 2015, em Paris, em uma Cerimônia promovida pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, em 22 de abril de 2016.
Mais de 160 países confirmaram que assinarão o acordo no dia 22, início do prazo em que o documento ficará aberto a assinaturas. Esse volume supera o recorde anterior de 119 assinaturas alcançado pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de Montego Bay, na Jamaica, em 1982.
Mais de 60 chefes de Estado e de governo participarão da cerimônia, incluindo o presidente francês, François Hollande, demonstrando o crescente nível de engajamento dos líderes mundiais para aceitar e implementar o acordo.
A cerimônia de assinatura será o primeiro passo para garantir que o acordo entre em vigor o mais rápido possível. O documento vigorará 30 dias depois que ao menos 55 países, respondendo por 55% das emissões globais de gases de efeito estufa, depositarem seus instrumentos de ratificação ou aceitação com o secretário-geral.
Alguns países já indicaram que irão depositar seus instrumentos de ratificação imediatamente depois de assinarem o acordo em 22 de abril. (confira mais abaixo)
A cerimônia também reunirá líderes da sociedade civil e do setor privado para discutir esforços no sentido de impulsionar o financiamento das iniciativas para o clima, o desenvolvimento sustentável e aumentar as ações para atingir o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2° Celsius.
“Paris foi histórico”, disse o secretário-geral da ONU. “Mas é só o começo. Precisamos acelerar urgentemente nossos esforços para combater as mudanças climáticas. Encorajo todos os países a assinar o Acordo de Paris em 22 de abril para que possamos transformar nossas aspirações em ações.”
Em consonância com o artigo 12 do Acordo, que pede a cooperação para “ampliar a educação, a formação, a sensibilização do público, a participação do público e o acesso do público a informação sobre as mudanças climáticas, reconhecendo a importância dessas etapas para ampliar as ações previstas no presente Acordo”, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) traduziu na íntegra para o português o Acordo.
Língua primária de pelo menos 240 milhões de pessoas em todo o mundo, o português não é um idioma oficial da ONU e, por isso, o Acordo ainda estava sem tradução.
Acesse em português o Acordo de Paris, traduzido pelo UNIC Rio, e outras informações em português emhttps://nacoesunidas.org/acordodeparis
Mais informações, visita a página oficial do evento: www.un.org/sustainabledevelopment/climatechange

sábado, 9 de abril de 2016

Via UNIC-Rio/COMPAZ/FC

ONU Mulheres e governo brasileiro lançam Diretrizes Nacionais para investigação de feminicídios.

Documento vai aprimorar investigações policiais, processos judiciais e julgamentos de mortes violentas de mulheres que tenham sido motivadas por questões de gênero, contribuindo para a implementação da lei 13.104/2015. A legislação tipifica o crime de feminicídio e aumenta as penas previstas pelo Código Penal.
A violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher estão incluídos na lei que tipifica o crime de feminicídio. Foto: Agência Brasil / Fernando Frazão
A violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher estão incluídos na lei que tipifica o crime de feminicídio. Foto: Agência Brasil / Fernando Frazão
Na próxima sexta-feira (8), a ONU Mulheres e o governo brasileiro publicarão as “Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídios”.
Com o lançamento do documento, o Brasil busca aprimorar as investigações policiais, os processos judiciais e os julgamentos das mortes violentas de mulheres que tenham sido motivadas por questões de gênero, contribuindo para a implementação da Lei 13.104/2015 – que tipifica o crime de feminicídio.
A lei descreve as motivações por trás dos feminicídios como razões de condição de sexo feminino. A tipificação do crime inclui a violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A nova legislação também amplia as penas relativas ao crime estipuladas pelo Código Penal.
Para definir a punição, a lei determina que sejam considerados alguns fatores, como a faixa etária da vítima – menos de 14 anos e mais de 60 anos –, o fato de a vítima estar grávida ou ter tido bebê recentemente – caso o crime ocorra nos três meses posteriores ao parto –, a presença de descendentes ou ascendentes no momento do crime e condições de saúde, para as vítimas com deficiência. Caso alguma dessas circunstâncias seja verificada em crimes praticados, a pena do feminicídio é aumentada de um terço até a metade.
As Diretrizes Nacionais contêm recomendações sobre elementos, técnicas e instrumentos práticos com uma abordagem intersetorial e multidisciplinar para ampliar as respostas necessárias durante investigações policiais, processos e julgamentos. O documento também apresenta indicações para garantir e fortalecer as reparações às vítimas diretas, indiretas e seus familiares.
A cerimônia de lançamento das Diretrizes acontece em Brasília e contará com a participação da representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasmam, da secretária especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Eleonora Menicucci, e da secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki. Para mais detalhes, clique aqui.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

É preciso correr, adverte a ciência  ( ECO)  / FC # 20 )

 Washington Novaes *

Deveria ser leitura obrigatória para todos os governantes, de todos os níveis, todos os lugares, o documento de 22 páginas entregue em 20 de fevereiro/2012, em Nairóbi, no Quênia, aos ministros reunidos pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, inscrito e assinado por 20 dos mais destacados cientistas que já receberam o Prêmio Blue Planet, também chamado de Prêmios Nobel do Meio Ambiente. Entre eles estão a ex- primeira - ministra norueguesa Gro Brundtland, coordenadora do primeiro relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável; James Lovelock, autor da “Teoria Gaia”; o professor José Goldemberg, ex-ministro brasileiro do Meio Ambiente;  Sir Nicholas Stern, ex- economista – chefe do Banco Mundial , consultor do governo britânico sobre clima; James Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (Nasa) ; Bob Watson, conselheiro do governo britânico ; Paul Ehrlich, da Universidade Stanford; Julia Marton - Lefevre, da União internacional para a Conservação da Natureza; Will Turner, da Conservação Internacional – e vários outros.
 Nesse documento os cientistas traçam, com palavras sóbrias e cuidadosas, um panorama dramático da situação do mundo, hoje, em áreas vitais: Clima; excesso de consumo e desperdício; fome; necessidade de aumentar a produção de alimentos e escassez de terras; desertificação e erosão; perda da biodiversidade e de outros recursos naturais; subsídios gigantescos nas áreas de transportes, energia, agricultura – e a necessidade de eliminá-los. Enfatizam a necessidade de “empoderamento” das mulheres e de grupos sociais marginalizados: substituir o produto interno bruto (PIB) como medida de riqueza e definir métodos que atribuam valor ao capital natural, humano e social, atribuir valor à biodiversidade e aos serviços dos ecossistemas e deles fazer a base da “economia verde”.
É um documento que, a cada parágrafo, provoca sustos e inquietações, ao traçar o panorama dramático que já vivemos em cada área e levar todo leitor a perguntar qual será,  o futuro de seus filhos e netos. “O atual sistema ( no mundo) está falido” , diz Bob Watson. “Esta conduzindo a humanidade para um futuro que é de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que já tivemos; e está eliminando o ambiente natural, do qual dependem nossa saúde, riqueza e consciência. (...) Não podemos presumir que a tecnologia virá a tempo para resolver; ao  contrário, precisaremos  de soluções humanas”.
 “Temos um sonho”, afirma o documento. “De um mundo sem pobreza e  equitativo – um mundo que respeite o direitos humanos – um mundo de  comportamento ético mais amplo com relação à pobreza e aos recursos naturais – um mundo ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável, onde desafios como mudanças climáticas, perda da biodiversidade e iniquidade social tenham sido enfrentados com êxito. Esse é um sonho realizável , mas o atual sistema está profundamente ferido e nossos caminhos atuais não o tornarão realidade”.
 Segundo os cientistas, é urgente romper a relação entre produção  e consumo, de um lado, e destruição ambiental, de outro: “Crescimento material sem limitas num planeta com recursos naturais finitos e em geral frágeis será  insustentável”, ainda mais com subsídios prejudiciais em áreas como energia (US$ 1 trilhão/ano), transporte e agricultura – “que deveriam ser eliminados”. A tese do documento é de que os custos ambientais e sociais deveriam ser internalizados em cada ação humana, cada projeto. Valores de bem e serviços dos ecossistemas precisam ser levados em  conta na tomada de decisões. É algo na mesma direção das avaliações recentes de economistas e outros estudiosos, comentadas neste espaço, a respeito da finitude dos recursos naturais e da necessidade de recompor a vida econômica e social em função disso.
O balanço na área de energia é inquietador, com a dependência de combustíveis fósseis, danos para a saúde e as condições ambientais. Seria preciso proporcionar acesso universal de toda a população pobre aos formatos “limpos” e renováveis de energia – a  transição para  economia de ‘baixo carbono”  - , assim como a formatos de captura e sepultamento de gases poluentes ( ainda em avaliação). Como não caminhamos assim, as emissões de dióxido de carbono equivalente já chegaram a 50 bilhões de toneladas anuais, com a atmosfera e os oceanos  aumentando suas concentrações para 445 partes por  milhão (ppm) – mais 2,5 ppm por ano, que desenham uma perspectiva de 750 ppm no fim do século.  E com isso o aumento da temperatura poderá chegar a mais 5 graus Celsius.
Na área da biodiversidade, 15 dos 24 serviços de ecossistemas avaliados pelo Milleniuum Ecosystem Assessment estão  em declínio – quando é preciso crias  caminhos para atribuir valor à biodiversidade e seus serviços, base para uma “economia verde” . Mas para isso será preciso ter novos formatos de governanças em todos os níveis – hoje as avaliações cabem a estruturas políticas, sociais, econômicas, ambientais, separadas e competindo entre elas.
E para que todo isso seja possível, dizem os cientistas, se desejamos tornar reais os nossos sonhos, “o momento é agora” – enfrentando a inércia do sistema socioeconômico e  impedindo que sejam irreversíveis as consequências das mudanças climáticas e de perda da biodiversidade. Se falharmos, vamos “empobrecer as atuais e às futuras gerações”. Esquecendo que vivemos em “uma sociedade global infestada pela crença irracional de que a economia física pode crescer sempre, deslembrada de que os ricos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento se tornam mais ricos e os pobres são deixados para trás”.
Não se trata de um manifesto de “ambientalista”, “xiitas” ou hippies. São palavras de dezenas dos mais  conceituados cientistas do mundo,  que advertem:  “A demora (em mudar) é perigosa e seria um erro profundo”.
É preciso ler esse estudo (www.af-info.or.jp). Escutar. E dar consequências.

*W. Novaes Jornalista Ambientalista

  Trabalho/Obra | *WRA.                                                                                                                     ...