Cidades latino-americanas criam aliança
para melhorar gestão de recursos hídricos.
Publicado
em 10/05/2019/ p/ 23/Maio/19. COMPAZTR/FC.
O Encontro
também debateu a criação de uma Aliança Regional de Megacidades para a Água e o
Clima. Participaram da Conferência - representantes de Bogotá, Buenos Aires,
Cidade do México, Rio de Janeiro, São Paulo, Lima e Santiago.
“Estamos
aqui hoje para criar uma Plataforma de Cooperação entre as Megacidades para que
elas encontrem juntas as soluções para a Gestão dos Recursos Hídricos, que já
se tornam escassos em grande parte delas, e para a Mudança Climática, que deixa
o cenário ainda mais desafiador”, disse o Especialista do Programa Hidrológico Internacional da UNESCO, Alexandros
Makarigakis. “A ideia é que as megacidades descubram o poder que têm para
resolver seus problemas em relação à sua mais básica segurança hídrica”,
completou.
O Presidente
do Sindicato Interdepartamental de Saneamento da Região Metropolitana de Paris
(SIAAP, na sigla em francês), Joakim Giacomoni-Vincent, alertou que todos os
países têm os mesmos problemas no que se refere às mudanças climáticas. “Há dez
anos, estávamos falando sobre isso como um problema futuro, e agora estamos
tendo que resolvê-lo”.
No
primeiro dia de evento, participantes discutiram os desafios atuais e futuros
da mudança climática que impactam a segurança hídrica na região da América
Latina e Caribe, os riscos para suas atividades econômicas e estabilidade
social, e as possíveis soluções para essas questões. As Megacidades
participantes apresentaram seus sistemas de água e saneamento, desafios atuais,
questões emergentes e formas de planejar e gerir a água no futuro.
Na
opinião do diretor da Associação de Pesquisa e Governos Locais sobre Água
(ARCEAU Île-de-France), Jean-Claude Deutsch - para além das características de
cada megacidade existem alguns pontos macros em comum, e a preocupação com os
Recursos Hídricos é um deles.
Os
Representantes das Cidades concordaram que mesmo tendo características
específicas, as soluções para garantir segurança hídrica nas megacidades podem
ser compartilhadas. Em São Paulo, por exemplo, por estar longe do mar, de lagos
e de rios caudalosos, “a cidade acaba se tornando um grande laboratório de
ideias para fornecer água segura para a população”, explicou o secretário
executivo de Relações Internacionais do município, Luiz Álvaro.
O
Diretor de Regulação da ANA, Oscar Cordeiro Netto, disse acreditar que “a
distribuição dos Recursos Hídricos é um desafio em todo o Brasil, pois apesar
de termos abundância de água doce, grande parte da população está onde a água
não está”. Para ele, esse fato ainda pode se agravar e gerar conflitos, pois “a
demanda por água deve aumentar 30% nos próximos 20 anos no País”.
No
segundo dia, um grupo restrito de especialistas conheceu melhor o funcionamento
da Aliança de Megacidades para a Água e o Clima (MAWAC, na sigla em inglês) e
discutiu o Termo de Referência para uma aliança regional na América Latina e
Caribe.
Eles
concordaram com a criação desta aliança e a ideia de que, daqui para frente,
ela deve melhorar a Cooperação Sul-Sul entre as Megacidades latino-americanas e
caribenhas, nos campos relacionados a pesquisa, soluções técnicas, educação,
informação e políticas públicas relacionadas à Gestão Hídrica.
Para o
Presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP),
Benedito Braga, os grandes impactos das Mudanças Climáticas se fazem sentir no
Setor dos Recursos Hídricos. “Seja pelas enchentes mais intensas e frequentes,
seja pelas secas mais prolongadas e frequentes. A Agenda da adaptação é fundamental
e, nesse contexto, uma Aliança para tratar do tema Mudanças Climática e Água é
extremamente importante”.
“Soluções
criativas e inovadoras, capazes de aglutinar meios e recursos para melhorar a
vida nas megacidades devem estar nas nossas mesas de discussão. A aliança das
megacidades se torna uma solução inteligente de ajuste da gestão hídrica aos
cenários das mudanças climáticas”, disse o secretário executivo do Comitê
Gestor dos Serviços de Água e Esgoto da Capital Paulista, Marco Palermo.
O
Secretário-Executivo da Organização Governos Locais para a Sustentabilidade
(ICLEI), Rodrigo de Oliveira Perpétuo, complementou dizendo que “a cooperação
multinível e multi-atores é o caminho para o fortalecimento de uma aliança
regional para a gestão das Águas nas Megacidades”.
O Evento
foi realizado pela Sede da UNESCO,
pelo Escritório Regional da UNESCO para Ciências na América Latina e Caribe
(UNESCO em Montevidéu) e pelo Escritório da UNESCO no Brasil, no âmbito do
Programa Hidrológico Internacional da UNESCO (IHP, na sigla em inglês).
O Encontro
também serviu de preparação para a Conferência Internacional da MAWAC (EauMega
2020), que acontecerá na Sede da UNESCO, em Paris (França), no próximo ano. ( COMPAZTR/DAMA/FC)