quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019


O identificar Preconceito...

*Wilson Rodrigues de Andrade

         Há tempos eu e muitos de Nós observamos que a miscigenação do Mundo é inevitável. Do mesmo modo que o Ecumenismo dos Corações deverá caminhar para o bom momento nos tempos vindouros da Humanidade.
        As Criaturas – Nós os co - criadores, não sobreviveram no isolamento. O grande e legítimo anseio é a confraternização geral.  Esta que ignora fronteiras, e segue unindo, apesar dos retrocessos constantes – étnicos e conceitos geográficos, de Sociologia e Filosofia, Religiões, Nações; enfim seres humanos e espirituais. Jesus o Cristo Ecumênico, em sua passagem pela Terra – propagou para todos, que esse é o Caminho...
         O Brasil, Coração do Mundo, com grandes deficiências; mesmo assim incentiva e trabalha pelo respeito às diferenças entre os povos. Um passo para que haja Consciência Humana e Fraternidade mútua é o reconhecimento do Preconceito – às vezes velado, que a maioria nem percebe que pratica.
            O Professor doutor Kabengele Munanga, antropólogo do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo/Brasil, em um programa de TV, comentou: “Como o próprio termo diz, Preconceito é um julgamento preconcebido sobre os outros, os diferentes, sobre os quais não temos na realidade, um bom conhecimento. O Preconceito é um dado praticamente universal, porque todas as culturas o produzem. Não há uma Sociedade que não se defina em relação às outras. E, nessa definição, nos colocamos numa situação, e achamos que somos o centro do mundo; a nossa cultura é a melhor, a nossa visão do mundo é a ideal, a nossa religião é a melhor. Assim, julgamos os outros de um modo negativo. A matéria-prima do Preconceito é a Diferença”.
       E, portanto, acentuo que, é preciso desarraigá-lo, pois no meio do Preconceito surgem os mais tenebrosos tipos de perseguição no Caminho do processo Civilizatório Humana, deste modo, dificultando o estabelecimento da Cultura de Paz no Planeta Terra. * Wilson Rodrigues de Andrade/ Produtor Editorial e Cultural – COMPAZ/Folha Cultural- Set. 2015.

Orixá e Sambas – Enredo...   
              

Escolas pecam pela carnavalização do que deveria ser mistério

                                                                                                             De: Nei Lopes *
       Parece que foi com o Enredo: Festa dos Deuses afro - brasileiros, da Escola de Samba Em Cima da Hora, em 1974, que os enredos sobre orixás e outras divindades africanas viraram moda no carnaval carioca . Tão em moda que, de lá pra cá, no Rio e São Paulo, não há ano em que não se volte ao tema, às vezes em doses triplas. Mas a história vem de mais longe.
   Em 1938, a coreógrafa e bailarina afro-americano Katherine Dunham, então com 28 anos de idade, motivada pelo trabalho da antropóloga, também afro-americano, Zora Neale Huston – que, no mesmo ano, depois de muita pesquisa, publicava o livro Tell My Horse, sobre comunidades negras da Jamaica – viajava pela primeira vez a Cuba. A viagem tinha objetivos declaradamente artísticos, mas acabou ganhando caráter religioso, já que durante sua estada em Havana, Miss Dunham fez-se iniciar na religião dos orixás, lá genericamente chamada santería.
    A partir daí, o trabalho da coreógrafa, que já baseava em séria pesquisa etnográfica fez o mundo reconhecer a beleza e o valor das danças de origem africana, abrindo caminho para a consolidação de uma tradição coreográfica e o surgimento de uma Dança negra contemporânea.
    Em 1952, Katherine Dunham, em visita ao Brasil, foi protagonista de um episódio de discriminação racial vergonhosa, porém de importantes consequências, pois foi o estopim para promulgação da primeira Lei Afonso Arinos. Mas, além disso, sua presença entre nós legitimava as exteriorizações do culto aos orixás jeje- nagôs (oriundo do eixo Nigéria/Benim), fazendo com que danças, trajes cerimoniais, cânticos rituais, atabaques e agogôs saíssem da clandestinidade para chegar aos palcos do teatro musicado.
    Não podemos assegurar; mas, muito provavelmente, levada pelo núcleo dirigente do operoso Teatro Experimental do Negro, à frente o saudoso artista e ativista Abdias Nascimento, Kaye Dunn (seu nome literário) deve Ter conhecido o Terreiro do célebre Joãozinho da Goméia, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. E lá, assim como sua discípula Mercedes Baptista, mãe da Dança afro no Brasil, deve ter assimilado muita matéria-prima para sua Obra.
    A coreógrafa americana certamente sabia que, no Haiti, um dos vocábulos que definem o conceito de Orixá é mystè, forma local para o francês mystère. Porque toda entidade espiritual africana é, em essência, um mistério, um sagrado, um dogma, a ser tratada com respeito, precaução e cautela – atividade da qual, na atualidade, o povo das Escolas de Samba, tanto no Rio quanto em São Paulo, parece que vem se esquecendo.
    Em busca do efeito e desprezando a Essência, as e Escolas dão, desde a fatídica década de 70, grande ênfase aos enredos de temática africana. Mas quase sempre pecam em dois “quesitos”: primeiro, na carnavalização do que deveria ser mistério; depois, na reprodução da falsa ideia de que a História da África sempre se contaria a partir do escravismo, como se nada lá houvesse ocorrido antes da chegada dos primeiros europeus, no Século XV.
    No oitavo Século da Era Cristã, viajantes árabes já se surpreendiam, no oeste africano, com a abundância de ouro, sustentáculo de um centralizado e poderoso império que efetivamente atuava como “intermediário” entre as áreas de produção, ao sul, e as do consumo, ao norte do Saara e às margens do Mediterrâneo. Esse Império era o Antigo Gana, fundado por negros do grupo étnico soninquê, aparentado aos mandingas, o qual, numa sequência histórica, deu lugar aos também poderosos Mali e Songai.
    Igualmente fortes e pujantes foram, antes do escravismo europeu, os Estados Axante (na atual Gana); Ifé, Benin, Oió (Nigéria); Mossi, Dagomba (Burkina Fasso); além, florescidos na Etiópia, no atual Zimbábue, e no antigo Congo, etc.
    A História desses reinos e impérios, com seus heróis e vilões, deuses e demônios, musas e rainhas, bandeiras e estandartes, tambores e chocalhos, está esperando para ser contada nas “avenidas” do Rio e na paulista. Está tudo lá nos oito volumes da História Geral da África, publicada pela UNESCO em parceria com MEC desde 2011, e integralmente disponibilizada na internet.
    Então, meu povão... Escravidão já era! A grande Katherine Dunham e Seu João da Goméia já descansam em paz! Os Orixás também precisam descansar!
    Alô, meu povão, se liga!                     
                                                 * Nei Lopes / Produtor Cultural e Compositor musical

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019


ONU Mulheres define tema global para Dia Internacional das Mulheres:  Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” Lançada em, 23 de Janeiro de 2019.

Tema está centrado nas formas inovadoras para a defesa da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, em especial aquelas relativas aos sistemas de proteção social, acesso aos serviços públicos e infraestrutura sustentável.
O tema definido pela ONU Mulheres para o Dia Internacional das Mulheres em 2019 é “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação”.
O tema está centrado nas formas inovadoras para a defesa da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, em especial aquelas relativas aos sistemas de proteção social, acesso aos serviços públicos e infraestrutura sustentável.



O alcance dos ambiciosos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) requer mudanças transformadoras, enfoques integrados e novas soluções, sobretudo, no que se refere à defesa da igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas. Se mantidas as tendências atuais, as intervenções existentes não serão suficientes para o alcance de um Planeta 50-50 no ano de 2030. É crucial contar com planejamentos inovadores que rompam com a situação habitual, a fim de eliminar as barreiras estruturais e garantir que nenhuma mulher e nenhuma menina fiquem para trás.
A inovação e a tecnologia trazem oportunidades sem precedentes, no entanto, as tendências atuais indicam que as lacunas digitais estão se ampliando e que as mulheres estão representadas de maneira insuficiente nos campos da ciência, tecnologia, engenharia, matemática e design.
Isso impede desenvolver e influir no desenvolvimento de inovações sensíveis ao gênero que permitam alcançar benefícios transformadores para a sociedade. Desde o banco móvel até a inteligência artificial ou a internet das coisas, é vital que as ideias e as experiências de mulheres influenciem por igual o desenho e a aplicação das inovações que conformarão as sociedades do futuro.
Em sintonia com o tema prioritário do 63º Período de Sessões da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres, o Dia Internacional das Mulheres de 2019 abordará visões sobre as lideranças da indústria, as empresas emergentes que estão mudando o panorama no mundo dos negócios, as empreendedoras e os empreendedores social, as ativistas e os ativistas que trabalham em favor da igualdade de gênero e as mulheres inovadoras, com o objetivo de examinar como a inovação pode eliminar barreiras e acelerar os avanços até a igualdade de gênero, fomentarem o investimento em sistemas sociais sensíveis a gênero e construir serviços e infraestruturas que respondam às necessidades de mulheres e meninas.
A ONU Mulheres convida a todas as pessoas a se unirem no, 8 de Março de 2019, para celebrar um futuro em que a inovação e a tecnologia criem oportunidades sem precedentes para as mulheres e meninas desempenharem papéis ativos na criação de sistemas mais inclusivos, serviços eficientes e infraestruturas sustentáveis para fazer avançar o alcance dos ODS e da igualdade de gênero. ONU- Mulheres/ COMPAZ-FC.


domingo, 20 de janeiro de 2019


20 de Janeiro - Dia Nacional da Consciência Indígena.



     
  






 
                           O Dia Nacional da Consciência Indígena é uma ideia que estava germinando na cabeça de Marcos Terena desde 1985, quando subiu a Serra da Barriga, acompanhando o Movimento Negro Brasileiro, que comemorava o tombamento da montanha em que Zumbi dos Palmares enfrentou os colonialistas escravizadores e morreu defendendo a liberdade e igualdade de todos no Brasil.

           
Cunhambebe e Aimberê, guerreiros Tupinambá, também se revoltaram contra a escravização dos povos indígenas no Brasil. Organizaram-se em Confederação Tamoio com Indígenas de Campos, até São Paulo e combateram heroicamente contra os colonialistas e escravizadores portugueses.

         Com a derrota da Confederação Tamoio, o resultado da guerra que envolveu os franceses que forneciam armas aos Tamoios e portugueses que foram buscar apoio junto aos Tupiniquins em Niterói, foi a Fundada da Cidade do Rio de Janeiro, por Estácio de Sá, em 1° de Março de 1565, com o objetivo de estabelecer uma fortificação, para impedir futuras revoltas indígenas e invasões de outros poderes coloniais.

          Para lembrar a história de luta dos Povos Indígenas na construção do Brasil, os representantes dos povos indígenas, atualmente aldeados no antigo Museu do Índio ao lado do Maracanã, no Rio de Janeiro, local que ele batizaram de “Aldeia Maracanã”, pegaram a ideia de Marcos Terena e foram, no 20 de Janeiro de 2013, dia do Padroeiro da Cidade, São Sebastião do Rio de Janeiro, para lançarem nacionalmente o “Dia Nacional da Consciência Indígena” e assim divulgarem sua embaixada para toda a humanidade. Os povos Indígenas no Brasil nunca se entregaram. Apinajé na Amazônia, a guerra dos Aimoré na Bahia e dos Potiguares no Rio Grande do Norte e na Paraíba são inúmeros momentos na História do Brasil que nos revelam a tenacidade dos povos indígenas na defesa de seus territórios e modos de vida, e a visão colonial que perdura até hoje de que os povos indígenas é que seriam os estrangeiros em suas próprias terras, como a exemplo do então governador do Rio de Janeiro, à época. Sérgio Cabral, que num momento de ira com os jornalistas, que lhe perguntavam sobre a Aldeia Maracanã, respondeu que era um deboche falar de índios na área do Maracanã, que nunca teve índio ali, fosse em 1506, 1806 ou agora.

              A construção da represa de Belo Monte, a invasão das terras dos Kaiowá. O não reconhecimento da Cidadania e das Representações Indígenas que exigem a manutenção da Aldeia Maracanã são todos exemplos atuais da persistência do comportamento colonial da sociedade brasileira com os Povos Indígenas, habitantes originais de Pindorama, nossa terra que hoje se chama Brasil.

                Conheça um pouco da história do início do período heroico dos povos Indígenas no Brasil, o porquê da denominação carioca, que o governador do Estado do Rio parece desconhecer, onde ficava a área chamada Uruçumirim e aprenda com quantos paus se faz uma canoa, ou uma Aldeia de Resistência e Consciência Indígena, chamada Maracanã. ( Texto revisado / Wilson Rodrigues de Andrade/FC_

Fonte e créditos da imagem: https://mamapress.wordpress.com/2013/01/20/20-de-janeiro-dia-nacional-da-consciencia-indigena-a-confederacao-dos-tamoios/

  Trabalho/Obra | *WRA.                                                                                                                     ...